terça-feira, 23 de dezembro de 2008

MONITORIA ACADÊMICA FAETAD - APOLOGÉTICA

Jesus, a Índia e a Incredulidade
por Gunar Berg



Somente após nomear este ensaio é que dei-me por atento ao seu nome. Sem a intenção do paradoxo, reúnem-se na mesma sentença dois expoentes da crença e da fé (não necessariamente corretos, como é o caso da Índia) e a própria incredulidade. Conquanto foi acidental a inusitada epígrafe, não foi sem propósito a retórica.
Há algum tempo, a colunista Mônica Buonfiglo publicou no espaço virtual esotérico de um grande site um texto de pretensas cores devocionais. Do pseudo pietismo daquelas linhas brotava o que de mais estranho se podia dizer sobre o Filho do Homem. Afirmava a inspirada escritora haver experimentado uma gratificante mutação no modo como enxergava a pessoa de Jesus. Orientada pela obra de Holger Kersten, intitulada Jesus viveu na Índia, Buonfiglio passou a considerar como verdadeira a hipótese de que Cristo não morreu quando da crucificação. Outrossim, o Salvador teria se recuperado do extenuante sacrifício (sim, não foi um sacrifício de morte, mas, apenas de cansaço) e partido em segredo para a Índia. Na terra dos milhões de deuses, Jesus, fazendo-se acompanhar de sua mãe, uma irmã e Maria Madalena, teria pregado e ensinado até descer a sepultura em boa velhice, com cerca de 80 anos de idade. Na terra da idolatria, o Verbo não seria mais do que mero guru.
Como pode ser isso, de homens prestarem-se a tal inventividade? Ou pior: como pode dar-se o caso de alguém declarar-se alcançado e iluminado por um enredo que de tão grotesco, chega a ser cômico? O mais curioso é que em todos estes casos, os portadores de tais verdades querem-se não somente espirituais, mas científicos!
O tal episódio guarda em si muito mais dilemas e questões que sua flagrante aberração nos permita ver. Analisemos a declaração da tal cronista que se disse feliz em saber que a trajetória de Cristo não findava com a crucificação. Pobre senhora! Despreza a Verdade suprema de que a cruz não era o fim de tudo, mas o começo da própria vida. Tudo porque não consegue crer que alguém tão amoroso como Jesus teria abreviada Sua vida pela morte vicária e voluntária. É loucura para o mundo! Há qualquer coisa de gnóstico na felicidade da colunista: não dá para aceitar que Deus Filho encerrasse Sua vida por amor de uma humanidade tão adoentada.
Na impossibilidade de aceitar esta verdade, o homem tratou de forjar para si uma explicação mais verossímil, algo normal. Nada de cruz ou ressurreição. Quando muito, um castigo injusto sem maiores conseqüências. Para entender os perigos que isto oferece, é preciso entender as deficiências demonstradas em tal situação.
Todo esforço que a colunista faz para apresentar sua nova diretriz espiritual não é isolado; na verdade é reflexo e repetição de uma escola mais antiga: a dos interessados na desconstrução dos personagens (ou mitos, como preferem chamar) espirituais, principalmente se eles são bíblicos e inspirados. Pode assombrar um pouco, mas Holger Kersten, embora citado em texto de vocação mística, é teólogo e historiador, alemão é verdade, mas ainda teólogo. Quem sabe a frieza nórdica e a minúcia germânica o tenham tornado insensível a ponto de julgar mais cabal a história de um Jesus eloqüente e pensador, do que a verdade de um Cristo que nos é suficiente Salvador. Tal como ele, tantos outros tem se esmerado em provar que o Cristo histórico é diferente do mito bíblico. Mera questão de interpretação? Mais provável que seja alguma coisa ligada à falta de conversão.
Mas que dizer do suposto túmulo de Cristo, encontrados na Índia, com a tal inscrição: “Ele é Yuz, profeta dos filhos de Israel”? É possível que tal sepulcro tenha mesmo existido. Se nem mesmo a morte pode deter o Salvador, não seriam as fronteiras nacionais que fariam com que o Evangelho, que é poder para a libertação, ficasse restrito ao espaço geopolítico. Em sua história do cristianismo, A. Knight e W. Anglin, falam dos primeiros missionários que, tal como Policarpo,
levaram à Ásia (e às últimas conseqüências) a mensagem da cruz. Benjamin Scott, em seu exaustivo levantamento dos epitáfios dos cristãos dos primeiros séculos, encontrou diversas referências ao Cristo Rei, ao Senhor e Sacerdote ou ainda ao Profeta chamado Jesus (os três ofícios do Messias). Assim, não nos pode causar estranheza que irmãos cristãos na Ásia procedessem da mesma forma.
Entrementes, os mais capazes apologistas jamais conseguirão transpor a barreira da indisposição do homem em crer no Filho de Deus. C.S. Lewis, um dos mais profícuos e envolventes autores cristãos do século xx já afirmava que o maior obstáculo à aceitação do sobrenatural era a impossibilidade filosófica. Quem cegamente crê que não é possível que Jesus seja Deus e que tenha morrido pelos homens, ainda que se depare com a mais incisiva defesa da fé, continuará a crer que Jesus não é apenas histórico, é apenas uma história. Não é questão de pensamento, mas de disposição. A única solução plausível para tais homens racionais e filosoficamente retrancados é o que de mais ilógico há na cristandade: o Espírito Santo. Só e somente Ele pode convencer o homem do pecado, da justiça e do juízo.
A procura pelo Jesus histórico não é a busca pela verdade histórica, é a negação do espiritual. É controversa a atitude daqueles que vibram cada vez que a ciência comprova algum fato bíblico. Se pensarmos bem, não é a Bíblia que finalmente acertou, são os cientistas que desta vez não erraram. A busca por informações extras que complementem a narrativa bíblica é desnecessária e desastrosa. Uma coisa é buscarmos o entendimento dos contextos bíblicos através do conhecimento da cultura, da língua ou mesmo da geografia dos tempos bíblicos. Outra bem diferente é procurar dados que completem lacunas que a Bíblia nunca se propôs a preencher. A Sagrada Escritura, embora não contenha erros científicos, históricos ou de qualquer outra natureza, não se propõe a ser um livro que trate destes assuntos. Ela é correta e pronto; as narrativas que ela apresenta são completas e dispensam qualquer ajuste de enredo.
Um bom resumo da realidade histórica de Cristo seria: Ele nasceu em Belém; Ele cresceu em conhecimento, estatura e graça diante de Deus e dos homens; e, finalmente, Ele morreu em uma cruz para que tivéssemos vida, e a tivéssemos em abundância.
Um bom resumo de nossa realidade histórica seria: ou cremos que Ele é o Cristo, Filho do Deus vivo, ou nossa história jamais alcançará um lugar feliz!
Autor:
Gunar Berg Doreto de Andrade
Monitoria Acadêmica da FAETAD
Fone: (19) 3757-5700monitoria@faetad.com.br

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